domingo, 26 de fevereiro de 2012

Balaieiro


Tua tisna negra
Tua boca singela
Minha flor de lótus

Tuas curvas carnudas
Tua voz me assusta
Te tecer eu imploro

Violeta africana
Tua vida cigana
Tua alma marcada

Conhecer teu caminho
Me deixa sozinho
És meu conto de fadas

Teu balaio bordado
Por tua mãos caprichado
Ganhou tua cor

Saindo nas ruas
Tua saia circula
Exalando amor

É cheia de espinhhos
Espinhos ferinos
Não se entrega a nada

Só aquele que soube
E com carinho se coube
Em sua saia rodada

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

É o cerne da questão

Na primeira vez
Que eu te vi
Me apaixonei

Flor de obsessão
Me fez paralisar
Uma constelação

Eu quero te mimar...
Quero te agradar...

Homem como eu
Não pode se entregar
A um caso bobo assim

Foste o que se deu
De tanto eu regar
O teu triste jardim

Eu quero te cuidar...

Fonte de alucinação
Me deixa sem saber
Onde por as mãos

É o cerne da questão

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Reencontro

Corre e pula pela mata
Vai atrás dos teus sonhos infantis
Que eu seguro a roda armada
Formada por desejos varonis


É que eu me sinto feito um passarinho
No teu dedo, sem querer voar
É que eu me sinto feito peixe no rio
Nas tuas mãos, sem poder nadar


Vai e volta num instante
Imagino, o que vai ser quando crescer
Seus olhos lindos penetrantes
Oblíquos que só pensam em me render


É que eu me sinto feito um passarinho
No teu dedo, sem querer voar
É que eu me sinto feito peixe no rio
Nas tuas mãos, sem poder nadar



Canção inspirada no conto "Venha Ver o Pôr-do-Sol" de Lygia Fagundes Telles.
http://www.beatrix.pro.br/index.php/venha-ver-o-por-do-sol-lygia-fagundes-telles/

domingo, 24 de abril de 2011

Ti presenteei

Há um novelo entre nós
Desenvolvendo em vós
Desaba o mundo
Ficou no fundo
O preço que eu paguei
Desaba o mundo, não
Ficou no fundo
O preço que eu paguei

Maternidade é sua fã
Filho da terra de Iansã
Não tenho cruzes
Nem o costume
De dizer sou rei
Não tenho cruzes, não
Nem o costume
De dizer sou rei

Desponto em avenidas
Nem sempre andei na linha
Perdido no oco do mundo
Um raso poço, profundo
Nem sempre fui bailarina
Dançando feliz da vida
Nem sempre fui humano
Às vezes boneco de pano
Apelo a Deus, se pequei
Mas cofesso
Ti presenteei


Sinto latente o poder
Tangível sempre em teu ser
Não dissimule
Nem me torture
Se eu tiver você
Não dissimule, não
Nem me torture
Se eu tiver você

Há quantas guerras impedirei
De quantos beijos desviarei
Falsos consumes
Falhos arrumes
A vida retardei
Falsos consumes, não
Falhos arrumes
A vida retardei

Desponto em avenidas
Nem sempre andei na linha
Perdido no oco do mundo
Um raso poço, profundo
Nem sempre fui bailarina
Dançando feliz da vida
Nem sempre fui humano
Às vezes boneco de pano
Apelo a Deus, se pequei
Mas cofesso
Ti presenteei

sábado, 9 de abril de 2011

Por não tê-la

Tudo remete a você
Meu coração quer se refazer
Meu caso é estupido
Meus olhos paralisam por um segundo
Estou aqui de novo
Pedindo por socorro

Meu caso é estupido
Meus olhos paralisam por um segundo
Estou aqui de novo
Pedindo por socorro


Rasgue ou queime antes de ler
Você não fez por merecer
É um tiro no escuro
Suponho coisas a todo segundo
Perdoe meu transtorno
Eu só queria ter você de novo

É um tiro no escuro
Suponho coisas a todo segundo
Perdoe meu transtorno
Eu só queria ter você de novo

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Inventor de sete almas

Inventor de sete almas


Se elas realmente gemessem dentro de mim
Se o entojo das águas desaguassem em si
É sempre límpida a face de quem vive só
E só os desencontros me mostram quem de verdade sou

As cores que me marcam, dão a diferença
Eu sou mais forte que qualquer crença
Meus poros estão entreabertos podes vir
Eu dou tempo ao tempo completar o meu sorrir


Ah, inventor de sete almas
Ser o mais lindo, dos lindos, dos Morféus
Triste é a palma de quem cala
Sou infinitamente, discretamente seu

Repara, me mata, me deixa ir, não quero mais ficar aqui...


De nada me serve estar sempre à espera
Do improvável que poderá vir
Todos que por mim passam trazem guerra
Estragam ainda mais o meu sentir

Inútil é o ser que não crer em Eli
Ser mais um manso que deve prosseguir
Me reinvento em cada castigada alma
Que cai e se levanta dentro de mim


Ah, inventor de sete almas
Ser o mais lindo, dos lindos, dos Morféus
Triste é a palma de quem cala
Sou infinitamente, discretamente seu


Repara, me mata, me deixa ir, não quero mais ficar aqui...


Cantiga inspirada no texto "Quando as galinhas gemem" de Rafael Barbosa.